Acabrunhada

 

Acabrunhada

 

Pelo vasto cabelo que cobre os meus olhos, o  vento continua a me  provocar.

De súbito, balanço a bela cabeleira , entregando  os pontos ao vento que insiste em me espalhar.

Procuro na bolsa,  para ver se encontro, alguma presilha , mas inútil de bolsa, que de tão grande, não serve pra nada, a não ser o grande peso que  em meu  ombro  já começa a pender e me cansar…

E o vento continua,  apressando as minhas costas,  que já não aguentam mais, de tantas espalmadas  e solavancos,  que em questão de segundos, tortura esta breve e ansiosa figura,  que nada entende das  provocações tão naturais…

E meus passos continuam,  apressados, na vontade em querer arrumar os cabelos e andar mais depressa,  a fim de logo chegar.

Mas que nada, o vento continua o seu trajeto, voltando na marcha ré, desviando os meus olhos, às tantas imagens,  que desfilam , enquanto ele me embrutece , estremece e enrijece esse meu caminhar…

O seu assobio  inunda,  os meus ouvidos, forçando  o seu som que só quer me inspirar , e eu , de tão inconformada , não encontro  a dita presilha.

Perdi belas imagens , talvez olhares profundos,  na troca que geram o melhor estar.

Os instantes tão preciosos que perdem-se,  na insignificância de detalhes…

Quando os ventos da mudança sopram no  caminhar, mas,  de tão oprimida, abatida e perdida,  eu nada entendi…

Levantei mil barreiras ao invés de construir ao vento,  a melhor mudança ou talvez um moinho , neste tão simples caminhar…

Mili

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *